Ocupado: egoísta e sonhador
Larry Darrell: egoísta e pé no chão
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:: Quarta-feira, Outubro 31, 2007 ::
Tá tudo bem...mas se o cara que dorme no mesmo beliche que eu não se masturbasse de madrugada, estaria melhor....
:: Ocupado
| 6:59 PM | [+]
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:: Terça-feira, Outubro 30, 2007 ::
Dia de visita
Tinha acabado de chegar na pensão. A sexta-feira tinha sido longa, seguia sem a minha própria autorização para beber e tudo o que precisava era de um pouco de paz e silêncio.
Curiosamente, silêncio era exatamente o que um casal de sabiás também fazia pousado no galho do pé de jabuticaba. Estavam um do lado do outro, de frente pra mim, bem próximos, e pareciam querer o mesmo que eu naquele fim de tarde.
Minha alma, alcoolizada de um romantismo tonto, viu naquilo um mar de poesia sem tamanho. O que estaria fazendo um casal de sabiás tanto tempo naquele galho?
Sei lá, mas acho que a sensação de fim de dia, fim de semana ou de missão cumprida, também fazia algum sentido pra eles naquele instante.
Enquanto isso, eu escrevia e questionava. Me perguntava se aquele casal de sabiás estariam conversando de alguma maneira, se aquilo era de fato um casal ou, o pior, se o macho só incentivava o tal silêncio porque, na verdade, sentia um amor platônico imenso pela fêmea e isso o travava completamente naquela situação.
De repente, quando olhei pela última vez para o pé de jabuticaba, eles não estavam mais lá. O silêncio e a poesia permaneciam, mas os protagonistas do meu “dilúvio imaginário” não.
A essa altura, a única notícia boa era que pelo menos um trecho da história já tinha sido escrita. Meio curta, meio viajada, mas verdadeira.
Quanto ao que aconteceu com aqueles sabiás depois daquela cena eu não sei, mas o que acontece com a gente quando a natureza também pára pra nos observar, aconselho você viver.
:: Ocupado
| 2:00 PM | [+]
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:: Segunda-feira, Outubro 29, 2007 ::
O Tim festival deste ano não pôde contar com a minha presença e nem com o meu consumo de drogas.
Uma pena. Eu tinha um monte de vexame pra dar.
:: Ocupado
| 10:47 AM | [+]
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:: Quarta-feira, Outubro 24, 2007 ::
Como uma onda no mar
Ainda não são três da manhã, nem adianta ir pra cama. Fico então aqui sentado em frente ao computador esperando que o tempo passe mais rápido, mesmo ainda não tendo aceito que o meu tempo tenha passado rápido demais. Dias atrás, eu ainda estava pulando na piscina, dando cambalhotas e depois minha mãe me trazia a toalha e algumas bolachas.
E aquele viado bem que dizia algo a respeito sobre amar as pessoas como se não houvesse o amanhã, mas eram tantos amanhãs que eu achei que fosse viadagem dele.
Sobre os dias úteis eu já perdi o controle, às vezes nos finais de semana eu ainda consigo retardar um pouco o processo, mas sempre com um pouco de muito álcool.
Seus pais também já morreram. Não acredita? Experimente piscar os olhos. Já era, e você até economizou no caixão, afinal o tempo ia ruir.
E não adianta chorar, até porque chorar faz bem e se você se sentir bem, você relaxa, o trem passa e você nunca mais vai ouvir que o salgadinho, o amendoim ou as pilhas são tudo um real. Quase unreal.
Na vida, temos todos muito poucas chances de errar. Se você não nasceu com o dom de escolher direito, se fodeu.
Não tem jeito. Ou você canta com a Xuxa ou bate punheta pra Kelly Key. Ou você ama ou você é feliz.
E eu? Eu estou ali, com uma mão no controle remoto e a outra dentro da cueca... A cabeça, ultimamente tá no futuro, mas o coração ainda está lá no passado. E tudo isso faz só uma semana.
:: Ocupado
| 7:28 PM | [+]
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:: Terça-feira, Outubro 23, 2007 ::
Febre
Raul santo seixas?
Fala bicho!
Como assim Raul? Estamos em 2007.
Não rapaz. Estamos em 1975, sou disco de ouro e a MPB toda me odeia.
Mas então quem morreu?
Além do pensamento, ninguém. Você apenas está sonhando.
Mas eu não estou dormindo.
Sei não...Pra mim, você continua esperando a morte chegar.
:: Ocupado
| 1:59 PM | [+]
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:: Sexta-feira, Outubro 19, 2007 ::
Confissão
esperando pela morte
como um gato
que vai pular
na cama
sinto muita pena de
minha mulher
ela vai ver este
corpo
rijo e
branco
vai sacudi-lo e
talvez
sacudi-lo de novo:
“Henry!”
e Henry não vai
responder.
não é minha morte que me
preocupa, é minha mulher
deixada sozinha com este monte
de coisa
nenhuma.
no entanto,
eu quero que ela
saiba
que dormir
todas as noites
a seu lado
e mesmo as
discussões mais banais
eram coisas
realmente esplêndidas
e as palavras
difíceis
que sempre tive medo de
dizer
podem agora
ser ditas:
eu
te amo.
Charles Bukowski
:: Ocupado
| 1:31 PM | [+]
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:: Quarta-feira, Outubro 17, 2007 ::
Do seu lado
Preciso de quinze linhas pra enrolar vocês. O que eu faço? Conto que o meu pinto tem crescido ultimamente, mas não por excesso de ereção e sim por falta de elastina? Acho que não, vcs não iam entender. Ou então será que entrego que eu nunca passo minha própria toalha no rosto por ter medo ter tê-la passado no cú no dia anterior? Também não, vcs acham meio escatológico. Acho que resta então eu olhar pro meu monitor como se fosse um espelho da alma e tentar enxergar o que há de realmente imprescindível pro meu coração botar pra fora neste instante.
Talvez fosse melhor eu ir antes comer o meu lanche de mortadela, mas tenho receio de não conseguir escrever e sentir queimação no estomago ao mesmo tempo. Sendo assim, acabo de fazer uma opção: let¿s talk about love. Seguido claro daquela pergunta que nunca se cala: mas ele existe?
O tema é manjado? Eu sei, mas não consigo largar essa mania de arrumar um problema pra cada solução. Além disso, não conheci ainda no mundo alguém que não viva procurando por outro alguém nem que seja simplesmente pra poder voltar dirigindo de madrugada com sua mão em cima da perna da pessoa.
Não há o que negar. Somos carentes sim! E se vc ainda não é capaz de assumir isso em público, entre no Messenger que em menos de uma hora vc já estará contando até sobre os arrepios que sente quando lava a bunda com o chuveirinho.
È incrível, independente do modo de vida que a pessoa leve, sempre ela carrega consigo uma esperança de um dia se unir com alguém pra poder dividir tudo com ela. E depois, mesmo que esta tampa seja grande ou pequena, de inox ou de R$ 1,99, não importa, a gente acaba aceitando até que a morte nos separe independente do trabalho que dará pro juiz fazer o divórcio mais tarde.
"Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais" é triste e vergonhoso, mas é a mais pura verdade. Não interessa se todo sábado ela vai naquele maldito salão de beleza ou se ele todo domingo não abre mão da cerveja com os amigos. A nossa palavra é sim, sim. Me engana que eu gosto? Não sei, mas na dúvida sim.
Quem sabe tudo não passe mesmo de fases em nossa vida, já acreditamos em cada coisa muito mais ridícula e esquisita do que o amor. Passamos pela fase do papai Noel, do coelho da páscoa, do bater punheta nasce pelo na mão e etc. E talvez essa busca do amor seja só mais uma dessas em que por um tempo perdemos o nosso tempo.
Parece engraçado, mas ninguém ainda é capaz de viver sem uma família, um deus ou um cachorro que seja. Somos o dono do mundo e isso não acalenta em nada o nosso sono.
Dormir sozinho ainda somos capazes, mas pegar no sono sem antes lembrar daquela pessoa que faz ou fará parte de nossa vida, isso ainda é impossível. Boa noite.
:: Ocupado
| 7:59 PM | [+]
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:: Terça-feira, Outubro 16, 2007 ::
Nada
Liberdade só se conquista morrendo.
Sábios os que conseguem viver e ser feliz preso a tudo isso que nos torna mesquinhos.
Acabo de pensar isso. Acabo de perceber que sem uma dose de conformismo e ignorância não há felicidade. Acabo de morrer de tristeza.
Pensando bem, a gente acaba muito rápido pra perder tempo ficando triste.
:: Ocupado
| 7:03 PM | [+]
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:: Domingo, Outubro 14, 2007 ::
Amnésia alcoólica? Não lembro.
:: Ocupado
| 11:19 AM | [+]
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:: Quarta-feira, Outubro 10, 2007 ::
Azulejo
Meu tesão mora no frio
No gelo, nas paredes geladas
Te arranca da pia, te coloca onde for...
Meu tesão sobe na mesa
Desce da mesa, deita na mesa
Te deixa descadeirada...
Meu tesão tem seis bocas
Seis línguas, seis mãos
Te arrepia a cada respiração...
Meu tesão é instantâneo
É fast, é food, é foda
Está na cozinha, está pra você.
:: Ocupado
| 1:50 PM | [+]
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:: Terça-feira, Outubro 09, 2007 ::
Putz, quando alguém abre o nosso zíper é mó legal....estive pensando nisso há um minuto atrás...
:: Ocupado
| 5:07 PM | [+]
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:: Quinta-feira, Outubro 04, 2007 ::
Caixinha de sugestões
Na minha opinião, é hora de tomarmos uma atitude quanto a situação do planeta. Não podemos mais permitir que nossa fauna e flora continuem pagando pelos nossos crimes.
Proponho a todos um gesto muito simples: vamos todos tomar veneno e nos suicidar, todos de uma vez. Ou melhor, todos de uma vez não. Talvez melhor em etapas para que muitos possam ser enterrados e evitar uma grande emissão de gases.
Não se preocupem, já que quase todos acreditam em vida após a morte ou coisas parecidas, ninguém morrerá de fato. Eu garanto. Seremos almas penadas muito mais felizes depois de realizar uma coisa dessas. É capaz até de Deus aparecer de uma vez por todas para nos agradecer.
Deixemos logo o planeta pra quem sabe aproveitar com sabedoria. Nosso bando de desequilibrado não tem competência. E já que estamos de passagem, por que não passarmos mais rápido?
Por mim, já podemos nos programar. Logo mais teremos um feriadão ideal para o evento. Poderíamos aproveitar o fim de semana como se fosse o último de nossas vidas, reunir as pessoas que a gente ama, declarar todos os nossos amores e partir.
Já pensou que maravilha? Segunda-feira sem jornal com notícia ruim, sem tragédias, sem nada. Apenas o barulho da natureza e mais nada. Como se nunca tivéssemos vindo pra cá.
Sinceramente, não sei como tinha pensado nisso antes. Não é a toa que o numerólogo disse pra eu participar mais de causas sociais. Ele tinha razão, nasci para lutar pelas minorias, pelos injustiçados e etc.
Mas só que exijo uma coisa. Faço questão que os representantes de cada país sejam os primeiros a se suicidar. Não é sacanagem, é justo. Como dizem: o exemplo tem que vir de cima. Não tenho culpa se logo agora o Lula é o presidente do Brasil. Poderia ser qualquer um, juro. A regra seria esta de qualquer jeito.
Então ficamos assim: até o próximo feriadão todos aproveitam bastante. Continuem roubando, sujando, matando, desmatando, transando, o que quiserem.
Aí, no domingo a gente faz nossas últimas declarações de amor, de ódio, últimas merdas, se despede de todo mundo e fim. Feliz mundo novo de novo.
:: Ocupado
| 7:38 PM | [+]
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:: Quarta-feira, Outubro 03, 2007 ::
Voando
Cadê o tal de oral sem frescura? Também ando me perguntando isso... Ando ficando meio fresco, meio recatado, sóbreo, chato, cuzão, velho... mas o pior mesmo é que ando sem tempo....O que sempre me sobrou, agora falta.
Fora isso, ando escondendo o jogo de todos. Não porque eu saiba alguma coisa que vocês não, mas mesmo assim ando escondendo.
Falar de mim é tão ridículo que nem sei. Mas acho que no fundo é só pra isso que blog serve...Quer dizer, pra mim serviu pra mais. Fiz uns puta amigos, recebi elogios, recebi umas cacetadas, mas foi bacana.
Puta clima de despedida, de derrota, né?... Mas ainda não. E também não estou triste com nada. Simplesmente não estou em lugar nenhum. Talvez no meio do nada, como toda quarta-feira.
:: Ocupado
| 7:34 PM | [+]
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:: Segunda-feira, Outubro 01, 2007 ::
O chimpanzé
Pensei que não existisse no mundo algo pior do que São Paulo, mas me enganei. Ribeirão Preto é muito pior.
Agora entendo porque chamam isso aqui de Califórnia brasileira. O povo é tão superficial e pobre de espírito que a comparação só poderia ter sido feita com um estado onde a futilidade também impera.
São milhares de pessoas financeiramente bem resolvidas que não tem a menor idéia de como o dinheiro pode ser aproveitado de forma mais produtiva e prazerosa. Aqui, como ainda em muitas regiões de São Paulo, o que vale são as aparências.
Eles ainda não entenderam que o barato é ser diferente, ter educação, ser discreto e etc. Aqui os homens ainda acreditam que virilidade e simpatia podem ser transmitidas através do volume do som de seus carros, da quantidade de cervejas que suportam tomar ou pela quantidade de drogas conseguem usar.
Já as mulheres, ainda alimentam aquela ilusão de que as pessoas acreditam que todas as grifes que elas usam são originais. Dolce gabbana, Luis vitton, Polo, e muitas outras são encontradas na maioria das “modelos”. É um verdadeiro fashion week interiorrrrrano.
Agora entendo também porque o povo daqui usa tanta droga. Sem elas, com certeza a maioria já teria surtado. As opções de diversão são tão carentes de diversão, que só ficando chapado nos fins de semana pra não enlouquecer. Claro que em São Paulo a gente tb abusa de tudo isso dez vezes mais, mas lá as drogas não passam de coadjuvantes da loucura e da alegria que os ambientes e as pessoas nos proporcionam.
Aqui tudo é muito raso, muito pouco e nada funciona aos domingos. Aliás, neste último domingo me senti um chimpanzé numa jaula. Fiquei o dia todo andando de um lado para o outro no quintal da pensão sem conseguir realizar nada. Não comi, não vi TV, não conversei com ninguém e também não cheguei à conclusão alguma a respeito de qualquer coisa. Devo estar enlouquecendo. Talvez seja minha abstinência alcoólica. Foda-se.
:: Ocupado
| 3:34 PM | [+]
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